Entenda os possíveis cenários na Venezuela após a detenção de Maduro
Por Redação O Sul | 4 de janeiro de 2026
A captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos abre um cenário de incertezas para o futuro político da Venezuela. O professor de Relações Internacionais Alexandre Coelho analisou os possíveis desdobramentos da situação e as implicações geopolíticas para o país sul-americano.
Segundo o especialista, um dos cenários possíveis é a manutenção da atual estrutura de poder, porém com novos protagonistas. “Inicialmente, o que se esperava era que Donald Trump indicasse María Corina Machado ou alguém da oposição venezuelana para assumir o poder, mas o que aconteceu foi exatamente o contrário”, explicou Coelho. De acordo com ele, Trump teria afirmado que Corina “não teria o respeito do povo venezuelano e, portanto, não poderia assumir a presidência”.
Na avaliação do professor, a Venezuela poderia passar a ter uma representação externa liderada por Delcy Rodríguez, em diálogo com o governo norte-americano, enquanto internamente o controle permaneceria com Diosdado Cabello. “Nós teríamos uma face externa da Venezuela, que seria a Delcy, e uma face interna estrutural, que seria o Diosdado, mantendo a estrutura de autoritarismo, de ditadura, talvez até pior do que durante o governo Maduro”, analisou.
Interesses econômicos por trás da operação
Coelho destacou que o petróleo venezuelano é um dos principais interesses por trás da operação americana. A Venezuela possui a maior reserva de petróleo do mundo, com cerca de 302 bilhões de barris. “Nós já temos a Chevron lá trabalhando, com autorização do governo americano, explorando petróleo inclusive para os Estados Unidos”, explicou.
Segundo o especialista, o discurso de Trump deixou clara a intenção de permitir que grandes empresas norte-americanas do setor energético, como Chevron, Exxon Mobil e ConocoPhillips, tenham prioridade para investir na Venezuela. “Essas empresas teriam carta-branca para investir e reestruturar todo o parque petrolífero venezuelano, com proteção do governo americano”, afirmou.
Desafios para a transição política
O professor demonstrou ceticismo quanto a uma administração direta dos Estados Unidos na Venezuela. “Eles não terão legitimidade junto ao povo venezuelano para fazer isso”, afirmou, citando exemplos recentes de intervenções americanas que resultaram em instabilidade, como no Afeganistão, no Iraque e na Líbia.
“Iraque vive até hoje um caos administrativo, e a Líbia está fragmentada, dominada por facções, inclusive no setor do petróleo”, lembrou. Para Coelho, esses precedentes reforçam a dificuldade de uma transição imposta externamente.
Outro ponto de atenção, segundo o especialista, é a reação da China, atualmente a maior compradora do petróleo venezuelano. “Trump vai controlar a torneira do petróleo em relação à China, em um embate direto com o que os chineses fazem hoje ao controlar exportações de terras raras para os Estados Unidos”, avaliou, apontando para um novo capítulo da disputa geopolítica entre as duas potências.
Fonte: Jornal O Sul
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